segunda-feira, 28 de novembro de 2016

SUB SOPÃO


   "Conhecem o Sub Barros 63(FICTÍCIO)? Quem conhece sabe: o cara é nota dez, profissional exemplar e dono de um coração gigante. Mas o coração não é a única coisa grande por lá; nosso amigo é um 'reprodutor nato' e hoje cria, com muito suor, oito filhos.


    Essa dedicação toda trouxe um aperto financeiro pesado. Para tentar equilibrar as contas, ele abriu mão do descanso: despediu-se da família e usou as férias para uma jornada exaustiva de renda extra.
Recentemente, em uma ronda noturna, vi alguém caído na calçada que me pareceu familiar. Voltei para conferir e o choque foi grande.

    Era o Barros: barbudo, exausto, dormindo no chão. Enquanto conversávamos, uma senhora lhe trouxe um prato de sopa — o pagamento por ele estar vigiando uma loja. Com uma humildade que me deu um nó na garganta, ele ainda me perguntou se eu conhecia outros comércios que aceitassem o mesmo 'trato'.


   A situação é séria e a cena me comoveu. Por isso, peço a união dos amigos: estamos arrecadando doações (alimentos, itens de higiene, barbeadores, etc.).


📍 Onde entregar: As doações podem ser deixadas na TERRA DISTANTE. Vamos dar uma força para quem sempre foi um de nós?"

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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

BOA NOITE SUB AREOLA

O Gemini disse

O DIA EM QUE O SUB AREOLA VIROU CINDERELA (VERSÃO PROIBIDA)


O nosso querido Sub Areola — um homem cujo QI só é superado pela sua vontade de ser o Freud do subúrbio — estava lá, tranquilo, exalando bondade. De repente, surge uma "amiga" em frangalhos, mais nervosa que gato em dia de faxina. O Areola, movido por um altruísmo perigoso, pensou: "Vou salvar essa alma com a minha oratória e uma calabresa com borda recheada".

O Banquete do Esquecimento

Na mesa, o cenário era digno de um comercial de margarina: apenas pizza e Dolly Guaraná. Papo vai, papo vem, Areola estava se sentindo o próprio Dr. Phil. Mas a natureza chamou. Ele levantou para ir ao toalete... e BUM! O universo deu um logoff na consciência do rapaz.

O Despertar do Guerreiro Escarlate

Às 5 da manhã, o saguão do prédio parecia o cenário de um filme de terror psicodélico. Areola despertou no mármore frio da recepção, mas com um detalhe estético inovador: ele vestia apenas uma calcinha fio-dental vermelha, que realçava sua silhueta de forma... agressiva.

Ao redor, o caos:

  • Porteiro: Tentando benzer o prédio com uma vassoura.

  • Moradores: Gritando "Segura o doido!" e "Chama o exorcista!".

O porteiro, ainda em choque térmico, relatou o desfile: às 23h, Areola subiu com uma comitiva digna de realeza (a amiga e três marmanjos). Às 4h da manhã, o Areola decidiu que o corredor era uma pista de 100 metros rasos e saiu gritando igual a uma arara com dor de dente.


O Saldo do "Atendimento Psicológico"

Quando o Tico e o Teco finalmente voltaram a trabalhar no cérebro dele, o inventário da desgraça foi atualizado:

  1. Carteira? Sumiu no Triângulo das Bermudas.

  2. Carro? Virou poeira cósmica.

  3. Roupas? Trocadas por um pedaço de seda vermelha que não cobria nem a dignidade.

  4. As Pregas? Bom... digamos que o Areola virou uma "avenida de pista dupla" sem pedágio.

Ao perceber que sua "retaguarda" tinha sido reconfigurada, o Areola não aguentou a pressão atmosférica e desmaiou ali mesmo, num desfalecimento digno de uma dama do século XIX.

A Desculpa Oficial (O Golpe de Mestre)

Dois dias de soro e detox depois, veio o desafio: o que falar para a família? Dizer a verdade ("Fui dopado e virei o brinde de uma orgia de estelionatários") não era uma opção.

O Areola, com sua genialidade remanescente, soltou a pérola:

"Gente, eu só passei na TERRA DISTANTE pra comer um x-burguer e, olha... acho que a maionese tava estragada. Me deu um revertério que eu nem vi onde estacionei!"














sábado, 25 de julho de 2015

O Enigma de Marques 67(FICTÍCIO): O Leão de Papel.



O Enigma de Marques 67(FICTÍCIO): O Leão de Papel.


   Conheçam o Marques 67. No cotidiano, um sujeito boa-praça, mestre da piada ruim e dono de um carisma contagiante. Porém, basta colocar a farda do serviço que ocorre uma metamorfose digna de filme de terror: ele vira o ser mais brabo da face da Terra. Se o Hulk usasse farda, pediria licença para o Marques passar.

O Duelo contra o Apocalipse

   Mas essa marra toda tem prazo de validade e CEP específico: fora de casa. No lar, o clima é... digamos, "diferenciado". Para ilustrar o nível da tensão, vou lhes narrar uma epopeia que aconteceu num dia em que a natureza decidiu acabar com o mundo.

   Caía uma tempestade bíblica. Raios cortavam o céu, e o vento soprava com a força de dez furacões furiosos. No meio desse cenário de fim de mundo, quem surge? O nosso intrépido Marques. Ele estava em cima de uma bicicleta aro 26, encarando o dilúvio para buscar o dinheiro de um "bico" que havia feito.

A Chegada do Espectro

   Marques tomou tanta chuva que a cor sumiu; o homem chegou no local do pagamento branco como um lençol, parecia que tinha sido lavado com água sanitária. Ofegante, com os olhos saltados e o sistema nervoso em frangalhos, ele entrou gritando como se estivesse num filme de assalto:

"O meu dinheiro! Cadê o meu dinheiro? Rápido, me dá isso agora!"

   O colega que guardava o pagamento entrou em choque. Tentou acalmá-lo, ofereceu um copo d’água, perguntou se era um sequestro... nada. Até que, de repente, o "bravo" Marques avistou um vulto ao longe. Num movimento digno de um gato ninja assustado, ele deu um salto acrobático para trás de um carro, onde ficou encolhido, observando o horizonte com o pavor de quem viu um fantasma.

O Confronto Final

   O motivo do pânico? A Patroa havia desembarcado no local. Ela se aproximou do esconderijo com o passo firme de quem não aceita desculpas e disparou o comando definitivo:

"Me dá o dinheiro!!!"

   O leão da rua, ainda trêmulo atrás do pneu do carro, tentou um último recurso desesperado, com a voz dois tons acima do normal:

— "Mas, meu amor... eu..."

"ME DÁ O DINHEIRO AGORA!" — replicou a autoridade máxima, sem espaço para réplicas.

O Saldo da Vitória

   Diante da pressão atmosférica insuportável, Marques entregou o envelope lacrado com R$ 800,00. Após a conferência minuciosa, ela abriu a bolsa, vasculhou o fundo e sacou uma nota de R$ 2,00. Entregou ao herói com uma recomendação:

"Toma aqui pra você tapar o furo do pneu da bicicleta que você estourou naquele bueiro ali atrás. E não demora!"


   Realmente, as coisas mudaram. Ou as mulheres dessa Terra Distante andam treinando com os generais de Esparta, ou os homens estão confundindo "paz doméstica" com "rendição incondicional".







quinta-feira, 25 de junho de 2015

O Mistério do Mourão que Criou Pernas

O Mistério do Mourão que Criou Pernas

A noite na Terra Distante estava tão escura que nem pensamento ruim clareava o caminho. No posto de sentinela, encontrava-se Chagas Lacraia (FICTÍCIO), o homem que não possui massa muscular, possui apenas intenções e um CPF. Chagas é tão magro que, se ele usar uma camisa com listras verticais, ele desaparece; se usar horizontais, vira uma escada.

O Incidente

Lá vinha a viatura, sacolejando no barro. O Graduado de dia, um sargento com o coração já castigado por anos de rancho e estresse, olhou para a cerca. De repente, o grito:

PARA A VTR! PELO AMOR DE DEUS, O MOURÃO TÁ SE DESPRENDENDO!

O que o sargento viu foi o impossível: um dos postes da cerca de arame farpado resolveu que estava cansado de segurar o gado e decidiu dar um passeio. Chagas, com sua postura de estátua grega (versão palito de dente), percebeu a aproximação e, por pura educação militar, resolveu "dar caminho".

O problema é que, no escuro, o movimento de Chagas não parecia o de um soldado, parecia o de uma entidade sobrenatural bidimensional.

O Pânico da Guarnição

O motorista pisou no freio com tanta força que quase jogou o sargento pelo para-brisa. O silêncio foi quebrado pelo barulho de dentes batendo. "É um lobisomem com anemia!", gritou o recruta no banco de trás.

Tomados por uma coragem que só o desespero traz, jogaram o foco de luz. E lá estava ele: Chagas Lacraia. O fardamento sobrava tanto que, se desse um vento forte, o Chagas virava um paraquedas humano e ia parar em outra jurisdição.

A Dieta de Centímetros

O sargento, ainda com a mão no peito e vendo Jesus em 4K, perguntou como ele conseguia manter aquele "shape" de grafite 0.5 por 16 anos. Chagas, sem mover um músculo da face para não gastar caloria, respondeu:

— É o segredo da longevidade, meu sargento: Cortei o carboidrato, o refrigerante e a vontade de existir no plano físico. Dizem que o Chagas não bate o pé na marcha, ele apenas fura o chão. Ele é o único soldado da PMERJ que consegue se esconder atrás de um fio de antena e ainda sobra espaço para um companheiro.


Vantagens Estratégicas do Sistema "Cerca-Lacraia":

·        Custo Zero: Não precisa de ração, ele se alimenta de neblina e disciplina.

·        Invisibilidade: O radar não pega porque ele é confundido com uma interferência no sinal.

·        Logística: Para transportar dez "Chagas", você não precisa de um caminhão, basta um porta-documentos.












O DIA EM QUE O HULK VIROU SMURF

O DIA EM QUE O HULK VIROU SMURF: O RELATO DO SINISTRO

O nosso Hulk Afro-Descendente Joderlan (FICTÍCIO) sempre foi o orgulho da vizinhança. O cara não caminhava, ele fazia o asfalto pedir desculpas. Mas o tempo, esse mecânico implacável que não aceita suborno, resolveu cobrar a conta.

O drama começou quando ele cruzou com uma "Relíquia 2.0": uma máquina com 20 anos de estrada, mas com o polimento em dia e uma compressão que faria um caminhão bitrem passar vergonha. O Hulk, sentindo que seu motor 1.0 estava batendo pino e fumando mais que Maria Fumaça ladeira acima, entrou em pânico.

A Visita ao "Mecânico" de Plantão

Em vez de uma retífica honesta ou uma troca de óleo, ele foi direto na "oficina de conveniência" (vulgo farmácia) e pediu o famoso Nitrogênio Azul.

·        O erro estratégico: Ele não tomou um comprimido. Ele tratou a cartela como se fosse M&M's.

O Efeito "Avatar"

A reação química foi instantânea. O Hulk, que era puro ébano reluzente, começou a sofrer uma mutação cromática. Em cinco minutos, ele não era mais o Hulk; ele parecia o Papa Smurf após um ciclo de esteroides. Estava tão azul que, se passasse perto de um aquário, os peixes achariam que era o fundo do mar.

A Hora do "Start"

Quando ele tentou ligar o motor para impressionar a Relíquia, o desastre aconteceu:

1.     A Ignição: O sistema nervoso central mandou um comando de "Potência Máxima".

2.     O Estouro: Não foi um barulho comum. Foi um BOOM que fez os alarmes dos carros num raio de três blocos dispararem.

3.     Bateu Biela: O pistão subiu com tanta vontade que tentou sair pelo capô (ou pelo colarinho).

O Resgate do Smurf Gigante

O socorro chegou e a cena era digna de cinema: quatro paramédicos tentando erguer 120kg de puro azul neon. Testemunhas juram que, enquanto a maca passava, ele ia deixando um rastro azulado no chão, parecendo um canetão Pilot que estourou no bolso de uma calça branca.

Por pouco, mas por muito pouco mesmo, ele não foi fazer o "test drive" definitivo nas pistas celestiais.




quinta-feira, 4 de junho de 2015

O Evangelho Segundo a Flanela: A Ascensão e Queda do "Pretinho"

O Evangelho Segundo a Flanela: A Ascensão e Queda do "Pretinho"

Francisco, o Chico, não tinha um carro. Ele tinha um relacionamento sério com um Polo preto que, de tão básico, o único luxo era o cheiro de lavanda que ele borrifava a cada 15 minutos. O carro era o terceiro elemento do casamento: a esposa de Chico já aceitava que, no testamento, ela ficaria com a casa, mas a custódia do Polo seria enterrada com o marido.

Chico era o tipo de sujeito que, se visse uma nuvem no céu com cara de chuva, pedia folga no trabalho. Ir de carro para a balada? Nem pensar. Ele preferia o bafo de 40 pessoas num ônibus lotado a deixar seu "brinquedo" exposto ao olhar maligno de um flanelinha ou à radiação solar.

O Dia do "CHOOOOOOOQUE"

O pátio da unidade era o santuário. O único lugar na Terra onde Chico relaxava o esfíncter e confiava na segurança institucional. Mas ele não contava com o Asp Márcio, um homem que não tinha sangue nas veias, tinha pólvora, e cujo passatempo favorito era testar o limite dos tímpanos alheios.

Márcio entrou no pátio como um vilão de filme de baixo orçamento, equipado com mais granadas que um exército revolucionário. — "CHOOOOOOOQUE!" — gritou ele, com o olhar de quem acaba de tomar cinco energéticos vencidos.

Ele começou a distribuir "mimos" explosivos como se fossem confetes de Carnaval. Uma dessas granadas, com um senso de direção digno de um GPS quebrado, rolou alegremente para debaixo do Polo de Chico.

O Big Bang do Setor Público

A explosão não foi um barulho. Foi um evento astronômico. Dizem que, em Marte, os robôs da NASA registraram um tremor. Em cidades vizinhas, as pessoas olharam para o céu achando que era o arrebatamento. O Polo do Chico não apenas explodiu; ele decidiu que queria ser um foguete da SpaceX.

Chico estava voltando para a unidade quando viu um fenômeno estranho: um farol caído no meio da calçada, a dois quarteirões de distância. Ele pensou: "Puxa, que azar do dono desse Polo...".

Cinco metros depois, viu um retrovisor pendurado num fio de alta tensão. Dez metros depois, viu a calota servindo de prato de comida para um vira-lata.

O Luto e o Ferro Velho

Ao entrar no pátio, Chico viu o cenário: bombeiros, fumaça preta e o Asp Márcio ainda vibrando com o eco da detonação. Onde antes brilhava a lataria polida com carinho, agora existia apenas um origami de ferro retorcido que mais parecia uma churrasqueira moderna projetada por um arquiteto louco.

Chico teve um princípio de desmaio. Seus joelhos cederam. O Polo tinha virado purpurina metálica.

Agora, o convite circula nos grupos de WhatsApp:

"Sétimo dia do Polo Black (2015-2024). Local: Cemitério da Terra Distante. Traje: Flanela preta no braço. Favor não levar bombas (Márcio não é bem-vindo)."


O Chico agora passa os dias olhando fotos do manual do proprietário e chorando baixinho.




quinta-feira, 7 de maio de 2015

ESSA É PIKA !

O CASO DO "CALIBRE DESCONHECIDO"

Era uma manhã ensolarada e a dupla dinâmica, Ricardo Pocotó e Pereira 67 (AMBOS FICTÍCIO), estava com mais vontade de trabalhar do que estagiário em primeiro dia de firma. Ao dobrarem a esquina, avistaram um rapaz cercado por estudantes. Quando as meninas viram a viatura, deram um pique de Usain Bolt e sumiram.

— "Ih, Pereira! Olha o elemento! As novinhas fugiram, deve estar armado até os dentes!" — alertou Pocotó, já com a mão no coldre.

Ao descerem, o alvo estava lá, estático, com um volume na cintura que parecia um silenciador de bazuca. Pocotó, mestre na arte da revista, deslizou a mão com a sutileza de um rinoceronte.

"PEREIRA, ACHEI! É UMA CANHÃO! O CARA TÁ COM UMA PONTO 50 NA CINTURA!" — "Senhor, pelo amor de Deus, eu não tenho arma!" — gritava o rapaz, que já estava mudando de cor.

Pocotó agarrou o "armamento" com as duas mãos e começou a puxar. Mas a arma parecia ter vida própria. Ele puxava, o rapaz dava um agudo de ópera; ele sacudia, o rapaz revirava os olhos.

— "Ô Pereira, a bandolagem dessa arma tá presa na alma dele! Não sai!"

Foi aí que a ficha caiu: o "ferro" era, na verdade, o orgulho e alegria do rapaz, que estava em estado de prontidão máxima devido ao susto (ou à genética privilegiada). Mas como já tinha uma multidão filmando, Pocotó não podia admitir o erro.

A Missão: "Manter o Flagrante"

Pocotó pegou o rádio com a seriedade de quem reporta uma invasão alienígena: — "Maré, o setor conduz elemento por... por... Conduta Balística Inconveniente!" — "Copiado. Do que se trata exatamente?" — "O elemento está... extremamente... rígido perante a lei. Solicito apoio para manter a prova." — "Positivo! Cuidado para não perder o flagrante no caminho!"

No banco de trás, o drama começou. Com o medo da arma de verdade apontada para ele, o rapaz começou a sofrer de "murchamento tático". A prova do crime estava desaparecendo!

— "CORRE, POCOTÓ! A PROVA TÁ SUMINDO! O FLAGRANTE TÁ FICANDO MEIA-BOMBA!" — desesperou-se Pereira 67.

Pereira, num ato de puro heroísmo policial (e total falta de noção), começou a fazer o que ele chamou de "massagem de preservação de evidência".

— "Tá difícil, Pocotó! Tá batendo a paumolessência! O cara tá entregando os pontos!" — "FAZ RESPIRAÇÃO BOCA-PAU NELE, PEREIRA! NÃO DEIXA A JUSTIÇA CAIR!"

O Desfecho

Chegaram na DP com a sirene ligada e o rapaz no limite da sanidade mental. O escrivão olhou para o relatório, olhou para o Pereira suado, olhou para o rapaz traumatizado e simplesmente rasgou o papel.

Dizem que, desde esse dia, na Terra Distante, o uso de medicamentos azuis é crime inafiançável, pois a polícia local não tem estrutura psicológica para lidar com "armamentos" de tamanha magnitude.








quarta-feira, 6 de maio de 2015

UM MORTO VIVO CHAMADO LUCAS



O Milagre (ou Pesadelo) do Fred Zoinho

Fred Zoinho, o policial mais "caveira" da região, estava lá: farda passada, postura de estátua e a paciência de um monge tibetano. Diante dele, um corpo à beira da estrada. Fred, eficiente como um relógio suíço, já tinha acionado a perícia, o rabecão e até o espírito santo, se fosse necessário.

Tudo ia bem, até que surge a figura: Seu Tião. Seu Tião não caminhava, ele flutuava num rastro de cachaça que poderia ser detectado por satélite. Ele se aproximou do corpo com o equilíbrio de uma gelatina num terremoto.

Deixa eu ver... é meu filho! É o Lucas! — gritou o velho, desabando em lágrimas que eram 70% álcool etílico.

Fred, mantendo a postura operacional, perguntou com aquela voz de locutor de rádio: — O senhor tem certeza, cidadão?

Tenho! Mas pera... deixa eu ver o pé dele.

Fred levantou o lençol só na altura do chulé. Seu Tião olhou para os dedos do falecido como se estivesse analisando uma obra de arte no Louvre. — Óh meu Deus! É o pé dele! Esse dedinho torto não engana! Era vagabundo, mas era meu filho!

O Caos se Instala

A partir daí, o que era uma ocorrência virou um capítulo de novela mexicana. A família chegou em peso, uma gritaria de "Ai, meu Lucas!", "Por que ele?", "Logo agora que ele ia mudar de vida!".

Fred, o mestre da burocracia, aproveitou a agilidade da família (que brotou com documentos do nada) e preencheu tudo. Nome, CPF, filiação, histórico, cor dos olhos... Fred escreveu tanto que a caneta quase pegou fogo. O corpo já estava periciado, ensacado e pronto para o descanso eterno sob o nome de Lucas.

A Aparição

Quando Fred estava dando aquele "check" final na papelada, sentindo aquele prazer de missão cumprida, ouve-se um grito ao longe:

Ô PAI! QUE QUE TÁ CONTESCENDO AÍ, Ô VELHO?

Era o Lucas. O próprio. Vivinho, com os dois pés no chão e uma latinha na mão.

O silêncio que se seguiu foi tão grande que deu para ouvir o barulho do cérebro do Fred fritando. Seu Tião parou de chorar na hora, olhou para o filho, olhou para o saco preto, deu um sorriso de quem ganhou na loteria e gritou:

LUCAS! VOCÊ TÁ VIVO, MEU FILHO!

Fred, com a caneta ainda na mão e o olhar de quem estava prestes a coringar, interveio com a voz trêmula: — Seu Tião... se esse aí, que tá bebendo uma, é o Lucas... QUEM É ESSE INFELIZ QUE EU JÁ CADASTREI NO SISTEMA ATÉ COM TIPO SANGUÍNEO?

Seu Tião, com a maior naturalidade do mundo, deu de ombros: — Ah, Sub... esse aí pode ser qualquer um desse mundão de Deus. Mas uma coisa eu garanto: o pé dele é igualzinho ao do meu moleque!


Conclusão

Dizem que, naquele momento, Fred Zoinho não disse uma palavra. Ele apenas guardou a caneta, pegou sua mochila e começou a caminhar em direção ao horizonte.

Hoje, Fred vive em uma cabana isolada na Terra Distante, onde o único documento que ele aceita preencher é a lista de compras — e só se não envolver reconhecimento de pés.