quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A Odisséia de Ricardo Pocotó: O Caçador do deserto.



A Odisséia de Ricardo Pocotó: O Caçador do deserto.

Ricardo Pocotó (FICTÍCIO) resolveu que a Terra Distante era pequena demais para o seu brilho. Queria ser o "Xerife do Atacama". Mal sabia ele que o deserto guarda segredos, e o maior deles era a sua total falta de noção.

O Achado Estratégico

Pocotó estava patrulhando quando avistou algo entre as dunas. Não era uma miragem. Era uma ossada, provavelmente de uma pessoa que estava desaparecida a uma semana.

Em vez de isolar a área, Pocotó pensou: "Se eu chamar a perícia, os caras demoram, o sol se põe e eu perco o 'JN'. Vou agilizar o processo." No Método "Pocotó" de Logística, Sem luvas, sem saco cadavérico, mas com muita "proatividade", ele catou os restos mortais como quem recolhe latinha em final de bloco de Carnaval.

Jogou tudo no porta-malas do carro da corporação, junto com o pneu estepe e um fardo de água mineral. Antes de ir para a delegacia, ligou para a TV local:

— "Oi, é da redação? Aqui é o Pocotó. Venham pra D.P. que eu acabei de desvendar o maior mistério do Atacama. Tragam o drone!"

O Show de Horror na Delegacia

Pocotó chegou na D.P. fazendo zerinho no pátio. Desceu com um saco de supermercado nas costas, pingando um "caldo" que não era de cana. Entrou na sala do Delegado — um homem que só queria se aposentar em paz — e deu aquela pancada no chão: BUM!

Pocotó: "Olha aí, Doutor! Trouxe um presente do deserto. Pode lavrar o flagrante!"

 — Delegado (quase infartando): "Pocotó... que cheiro de museu do horror é esse? O que tem nesse saco?"

Pocotó (orgulhoso): "Material apreendido, Dr.! Achei abandonado na areia. Quase certeza que é o rapaz desaparecido.

O Delegado abriu o saco e deu de cara com uma mandíbula sorrindo para ele. O grito do Dr. foi ouvido em três estados vizinhos.

O Diálogo do Ano na Central

Enquanto o Delegado tentava reanimar seu próprio coração, Pocotó pegou o rádio com a maior calma do mundo:

Pocotó: "Central, aqui é o Pocotó. Ocorrência encerrada às 14h. Pode dar baixa."

 — Central: "Positivo, Pocotó. Informe a natureza da ocorrência."

 — Pocotó: "Apreensão de material diverso por abandono de proprietário."

 — Central: "Que material?"

Pocotó: "Ah, uns  ossos, uma dentadura incompleta e uns retalhos de carne charqueada humana."

Central (silêncio de 10 segundos): "Pocotó... você tá falando de um presunto?"

 — Pocotó: "Presunto não, Central. Tá mais pra um Carpaccio de Múmia. O Inspetor não quis assinar o RO, disse que ia vomitar. Tô voltando pro setor!"

O Desfecho

Enquanto isso, o Comandante-Geral almoçava assistindo ao "Alerta Atacama". A manchete passava em letras garrafais: "POLICIAL ENCONTRA EL DORADO HUMANO E CARREGA NAS COSTAS". O Comandante engasgou com a farofa.

O resultado? 10 dias de caserna para o Pocotó refletir sobre a diferença entre um "objeto achado" e uma "ossada”, além de 1 ano de reciclagem para aprender os tramites de cada ocorrência.




segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Gianecchini Fidelense



O Método Stanislavski: A Saga de Rodrigues 67

Rodrigues 67(FICTÍCIO) não era apenas um homem; ele era um conceito. Enquanto meros mortais trabalham com CLT, ele jurava de pés juntos que seu nome estava gravado no panteão do Projac. Mas, como o diabo mora nos detalhes (e o Rodrigues no interior), a verdade sobre sua "carreira artística" era um pouco mais... manual.

O Papel de uma Vida

Diz a lenda que, durante uma gravação épica em São Fidélis, Rodrigues não foi figurante. Ele ocupou um cargo de altíssima periculosidade e precisão biomecânica.

Sua função? Toda vez que o icônico Tony Ramos sentia o chamado da natureza no meio do matagal, lá ia Rodrigues. Sua missão era técnica: após o astro se aliviar, Rodrigues entrava em cena para executar o "sacolejo final". Basicamente, ele era um Estabilizador de Apêndice Global. Se o Tony saísse de lá sem pingos na calça, o mérito era todo do talento manual do nosso herói.

O Golpe do "Você Sabe Com Quem Está Falando?"

Certa noite, em uma estrada de terra que nem o GPS do Google ousa narrar, a fome apertou. Rodrigues, ostentando um topete fixado com Gel Blindado 96 Horas (que resistiria a um furacão categoria 5), olhou para o parceiro e sentenciou:

— Fica no carro. Vou usar meu brilho de estrela e o carisma que adquiri balançando o Tony para descolar um brinde para nós.

Ele não caminhou até a lanchonete; ele desfilou. O queixo estava tão erguido que ele quase tropeçou num vira-lata. Ao chegar no balcão, ele engrossou a voz, buscando um tom entre Tarcísio Meira e um locutor de rodeio:

Minha cara... por obséquio, providencie uma Coca de dois litros para um artista da casa.

A atendente, que tinha o carisma de um bloco de concreto, nem levantou o olho do celular:

 — Só tem Fanta 600ml.

 

O Choque de Realidade (e de Preço)

Rodrigues, mantendo o personagem mesmo diante da laranjada genérica, aceitou. Afinal, astros não discutem menu. O plano era pegar a garrafa, dar uma piscadinha de galã e sair flutuando. Mas veio o golpe de misericórdia:

— São R$ 20,00 — disse a mulher, com a frieza de quem cobra pedágio no inferno.

O "ator" quase perdeu a fixação do gel.

 — Vinte? Por uma Fanta? Ela vem com um autógrafo do Bonner ou o gás é importado de Paris?

 

O Grand Finale

A carteira de Rodrigues, que estava mais vazia que o roteiro de novela das três, só revelou uma nota de R$ 5,00 toda amassada. O galã teve que bater em retirada, com o rabo entre as pernas, para pedir o restante ao parceiro.

O desfecho foi digno de um filme de drama cult: os dois amigos dividindo 600ml de refrigerante morno, servido em um conta-gotas imaginário, para que a humilhação durasse o máximo possível.


Moral da história: Na vida, você pode até balançar o instrumento do Tony Ramos, mas na hora da Fanta, quem balança o seu bolso é a realidade.