O CASO DO "CALIBRE DESCONHECIDO"
Era uma manhã ensolarada e a dupla dinâmica, Ricardo Pocotó e Pereira 67 (AMBOS FICTÍCIO), estava com mais vontade de trabalhar do que estagiário em primeiro dia de firma. Ao dobrarem a esquina, avistaram um rapaz cercado por estudantes. Quando as meninas viram a viatura, deram um pique de Usain Bolt e sumiram.
— "Ih, Pereira! Olha o elemento! As novinhas fugiram, deve estar armado até os dentes!" — alertou Pocotó, já com a mão no coldre.
Ao descerem, o alvo estava lá, estático, com um volume na cintura que parecia um silenciador de bazuca. Pocotó, mestre na arte da revista, deslizou a mão com a sutileza de um rinoceronte.
— "PEREIRA, ACHEI! É UMA CANHÃO! O CARA TÁ COM UMA PONTO 50 NA CINTURA!" — "Senhor, pelo amor de Deus, eu não tenho arma!" — gritava o rapaz, que já estava mudando de cor.
Pocotó agarrou o "armamento" com as duas mãos e começou a puxar. Mas a arma parecia ter vida própria. Ele puxava, o rapaz dava um agudo de ópera; ele sacudia, o rapaz revirava os olhos.
— "Ô Pereira, a bandolagem dessa arma tá presa na alma dele! Não sai!"
Foi aí que a ficha caiu: o "ferro" era, na verdade, o orgulho e alegria do rapaz, que estava em estado de prontidão máxima devido ao susto (ou à genética privilegiada). Mas como já tinha uma multidão filmando, Pocotó não podia admitir o erro.
A Missão: "Manter o Flagrante"
Pocotó pegou o rádio com a seriedade de quem reporta uma invasão alienígena: — "Maré, o setor conduz elemento por... por... Conduta Balística Inconveniente!" — "Copiado. Do que se trata exatamente?" — "O elemento está... extremamente... rígido perante a lei. Solicito apoio para manter a prova." — "Positivo! Cuidado para não perder o flagrante no caminho!"
No banco de trás, o drama começou. Com o medo da arma de verdade apontada para ele, o rapaz começou a sofrer de "murchamento tático". A prova do crime estava desaparecendo!
— "CORRE, POCOTÓ! A PROVA TÁ SUMINDO! O FLAGRANTE TÁ FICANDO MEIA-BOMBA!" — desesperou-se Pereira 67.
Pereira, num ato de puro heroísmo policial (e total falta de noção), começou a fazer o que ele chamou de "massagem de preservação de evidência".
— "Tá difícil, Pocotó! Tá batendo a paumolessência! O cara tá entregando os pontos!" — "FAZ RESPIRAÇÃO BOCA-PAU NELE, PEREIRA! NÃO DEIXA A JUSTIÇA CAIR!"
O Desfecho
Chegaram na DP com a sirene ligada e o rapaz no limite da sanidade mental. O escrivão olhou para o relatório, olhou para o Pereira suado, olhou para o rapaz traumatizado e simplesmente rasgou o papel.
Dizem que, desde esse dia, na Terra Distante, o uso de medicamentos azuis é crime inafiançável, pois a polícia local não tem estrutura psicológica para lidar com "armamentos" de tamanha magnitude.

