O Mistério do Mourão que Criou Pernas Isso é TERRORISMO!!

quarta-feira, 6 de maio de 2015

UM MORTO VIVO CHAMADO LUCAS





O Milagre (ou Pesadelo) do Fred Zoinho

Fred Zoinho, o policial mais "caveira" da região, estava lá: farda passada, postura de estátua e a paciência de um monge tibetano. Diante dele, um corpo à beira da estrada. Fred, eficiente como um relógio suíço, já tinha acionado a perícia, o rabecão e até o espírito santo, se fosse necessário.

Tudo ia bem, até que surge a figura: Seu Tião. Seu Tião não caminhava, ele flutuava num rastro de cachaça que poderia ser detectado por satélite. Ele se aproximou do corpo com o equilíbrio de uma gelatina num terremoto.

Deixa eu ver... é meu filho! É o Lucas! — gritou o velho, desabando em lágrimas que eram 70% álcool etílico.

Fred, mantendo a postura operacional, perguntou com aquela voz de locutor de rádio: — O senhor tem certeza, cidadão?

Tenho! Mas pera... deixa eu ver o pé dele.

Fred levantou o lençol só na altura do chulé. Seu Tião olhou para os dedos do falecido como se estivesse analisando uma obra de arte no Louvre. — Óh meu Deus! É o pé dele! Esse dedinho torto não engana! Era vagabundo, mas era meu filho!

O Caos se Instala

A partir daí, o que era uma ocorrência virou um capítulo de novela mexicana. A família chegou em peso, uma gritaria de "Ai, meu Lucas!", "Por que ele?", "Logo agora que ele ia mudar de vida!".

Fred, o mestre da burocracia, aproveitou a agilidade da família (que brotou com documentos do nada) e preencheu tudo. Nome, CPF, filiação, histórico, cor dos olhos... Fred escreveu tanto que a caneta quase pegou fogo. O corpo já estava periciado, ensacado e pronto para o descanso eterno sob o nome de Lucas.

A Aparição

Quando Fred estava dando aquele "check" final na papelada, sentindo aquele prazer de missão cumprida, ouve-se um grito ao longe:

Ô PAI! QUE QUE TÁ CONTESCENDO AÍ, Ô VELHO?

Era o Lucas. O próprio. Vivinho, com os dois pés no chão e uma latinha na mão.

O silêncio que se seguiu foi tão grande que deu para ouvir o barulho do cérebro do Fred fritando. Seu Tião parou de chorar na hora, olhou para o filho, olhou para o saco preto, deu um sorriso de quem ganhou na loteria e gritou:

LUCAS! VOCÊ TÁ VIVO, MEU FILHO!

Fred, com a caneta ainda na mão e o olhar de quem estava prestes a coringar, interveio com a voz trêmula: — Seu Tião... se esse aí, que tá bebendo uma, é o Lucas... QUEM É ESSE INFELIZ QUE EU JÁ CADASTREI NO SISTEMA ATÉ COM TIPO SANGUÍNEO?

Seu Tião, com a maior naturalidade do mundo, deu de ombros: — Ah, Sub... esse aí pode ser qualquer um desse mundão de Deus. Mas uma coisa eu garanto: o pé dele é igualzinho ao do meu moleque!


Conclusão

Dizem que, naquele momento, Fred Zoinho não disse uma palavra. Ele apenas guardou a caneta, pegou sua mochila e começou a caminhar em direção ao horizonte.

Hoje, Fred vive em uma cabana isolada na Terra Distante, onde o único documento que ele aceita preencher é a lista de compras — e só se não envolver reconhecimento de pés.



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