O Comboio de um Homem Só (e Meio Batalhão)
Geórgio87 sempre teve o "diesel nas veias". Ex-caminhoneiro raiz, daqueles que faz curva em dois tempos e dorme com o barulho de motor de geladeira. Quando o Sgt gritou: "Preciso de um voluntário para levar o ônibus ao 8º!", Geórgio não ouviu o resto. Ele só ouviu o chamado da estrada... e do destino.
Ele pegou a chave como se fosse a Tocha Olímpica, saltou para dentro do ônibus e deu a partida. O motor rugiu. Geórgio sorriu.
O Incidente da Cancela: O sentinela do 12º Batalhão, um rapaz que ainda estava processando o café da manhã, viu aquele monstro de ferro vindo em sua direção. Ele tentou erguer a cancela. Não deu tempo. O ônibus de Geórgio não passou pela saída; ele redefiniu a saída.
Com um estrondo de "festa de ferro-velho", o portão principal do batalhão — uma estrutura de ferro reforçado que intimidava até pensamento ruim — decidiu que não queria ficar para trás. Ele se abraçou ao para-choque traseiro do ônibus e foi.
O Delírio de Grandeza: Pelas ruas, Geórgio estava em êxtase. — Caramba, como o povo do México é hospitaleiro! — pensava ele, vendo as pessoas na calçada pulando, gritando e agitando os braços desesperadamente. — Devem ser fãs de transporte coletivo!
Ele acenava de volta com a mão real, enquanto a "cauda" metálica do ônibus ia deixando um rastro de faíscas que faria inveja a qualquer show de rock.
A Escolta de Honra: Logo, o retrovisor ficou azul e vermelho. Dez viaturas com sirenes abertas. — Olha só, Vinicius e De Souza devem estar vindo atrás para garantir que ninguém roube o ônibus! Que moral eu tenho! — Geórgio pisou fundo. No que uma viatura tentava emparelhar para gritar "PARA O CARRO, PELO AMOR DE DEUS!", Geórgio reduzia uma marcha e jogava o ônibus pro lado: — Aqui não, parceiro! Hoje o piloto sou eu! Primeiro lugar ou nada!
O Choque de Realidade na Serrinha: A festa só parou na barreira da PRF. Tinha tanto cone, viatura e policial com a mão na cabeça que Geórgio achou que era o comitê de boas-vindas. Ele desceu do ônibus, ajustou a farda e foi falar com o inspetor:
— E aí, comando? Onde é o palanque para o discurso?
O PRF, com os olhos estáticos, apenas apontou para trás do ônibus com o dedo trêmulo.
Geórgio olhou.
Lá estava ele: o portão principal do 12º Batalhão, agora com 15 cm a menos de altura devido ao lixamento forçado no asfalto, agarrado como um carrapato de metal. O asfalto da rodovia tinha uma valeta central perfeita, cortesia da "lâmina" improvisada. Metade da fiação da cidade e um pedaço da guarita do sentinela provavelmente estavam enroscados ali também.
Geórgio87 coçou a cabeça, olhou para o rastro de destruição de 20 km e soltou a pérola:
— Rapaz... eu bem que achei que esse ônibus estava fazendo um barulhinho de "ferro com ferro" na terceira marcha. Pensei que era falta de graxa!
Ainda bem que na TERRA DISTANTE as entradas são livres. Provavelmente porque o Geórgio87 já passou por lá e levou todos os portões para o ferro-velho do destino!

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