Polo da Volkswagem ou Foguete da SpaceX ?
Francisco, o Chico, não tinha um carro. Ele tinha um relacionamento sério com um Polo preto que, de tão básico, o único luxo era o cheiro de lavanda que ele borrifava a cada 15 minutos. O carro era o terceiro elemento do casamento: a esposa de Chico já aceitava que, no testamento, ela ficaria com a casa, mas a custódia do Polo seria enterrada com o marido.
Chico era o tipo de sujeito que, se visse uma nuvem no céu com cara de chuva, pedia folga no trabalho. Ir de carro para a balada? Nem pensar. Ele preferia o bafo de 40 pessoas num ônibus lotado a deixar seu "brinquedo" exposto ao olhar maligno de um flanelinha ou à radiação solar.
O Dia do "CHOOOOOOOQUE"
O pátio da unidade era o santuário. O único lugar na Terra onde Chico relaxava o esfíncter e confiava na segurança institucional. Mas ele não contava com o Asp Márcio, um homem que não tinha sangue nas veias, tinha pólvora, e cujo passatempo favorito era testar o limite dos tímpanos alheios.
Márcio entrou no pátio como um vilão de filme de baixo orçamento, equipado com mais granadas que um exército revolucionário. — "CHOOOOOOOQUE!" — gritou ele, com o olhar de quem acaba de tomar cinco energéticos vencidos.
Ele começou a distribuir "mimos" explosivos como se fossem confetes de Carnaval. Uma dessas granadas, com um senso de direção digno de um GPS quebrado, rolou alegremente para debaixo do Polo de Chico.
O Big Bang do Setor Público
A explosão não foi um barulho. Foi um evento astronômico. Dizem que, em Marte, os robôs da NASA registraram um tremor. Em cidades vizinhas, as pessoas olharam para o céu achando que era o arrebatamento. O Polo do Chico não apenas explodiu; ele decidiu que queria ser um foguete da SpaceX.
Chico estava voltando para a unidade quando viu um fenômeno estranho: um farol caído no meio da calçada, a dois quarteirões de distância. Ele pensou: "Puxa, que azar do dono desse Polo...".
Cinco metros depois, viu um retrovisor pendurado num fio de alta tensão. Dez metros depois, viu a calota servindo de prato de comida para um vira-lata.
O Luto e o Ferro Velho
Ao entrar no pátio, Chico viu o cenário: bombeiros, fumaça preta e o Asp Márcio ainda vibrando com o eco da detonação. Onde antes brilhava a lataria polida com carinho, agora existia apenas um origami de ferro retorcido que mais parecia uma churrasqueira moderna projetada por um arquiteto louco.
Chico teve um princípio de desmaio. Seus joelhos cederam. O Polo tinha virado purpurina metálica.
Agora, o convite circula nos grupos de WhatsApp:
"Sétimo dia do Polo Black (2015-2024). Local: Cemitério da Terra Distante. Traje: Flanela preta no braço. Favor não levar bombas (Márcio não é bem-vindo)."
O Chico agora passa os dias olhando fotos do manual do proprietário e chorando baixinho.

estava de serviço na Codin junto com Francisco, de lá conseguimos visualizar e ouvir a explosão, parecia a bomba atômica de Hiroshima e Nagasaki.
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