A Lenda do Pocotó e a Porta Giratória
Apresento-lhes
a lenda: meu grande amigo Ricardo Pocotó. Um gordinho que é pura
simpatia, o rei da resenha, mas que carrega consigo um... digamos... fardo
anatômico de proporções épicas que o limita um bocado.
Certo
dia, o homem precisava cumprir seu papel de brasileiro e foi ao banco pagar um
daqueles carnês atrasados. A tragédia começou logo na entrada. A porta
giratória — a arqui-inimiga da humanidade — cismou com ele. Travou geral!
A luz vermelha piscou, o alarme berrou.
Pocotó,
na maior paciência do mundo, chamou o vigilante no cantinho: — Chefe, o
negócio é o seguinte: tô armado. É só a minha arma.
Rapaz,
mas não teve acordo! Depois de meia hora de ladainha, nem com reza braba,
decreto papal ou choro o gerente liberou a entrada do homem com o trabuco.
Como o
juros do boleto tava correndo solto, ele não teve escolha. Fez o retorno,
correu na casa de um parceiro ali perto, deixou a arma debaixo do colchão do
amigo e voltou para o campo de batalha.
Desarmado,
puro, limpo de todo e qualquer metal. Foi entrar e... TRAVOU DE NOVO! A
porta apitava como se ele fosse o próprio Homem de Ferro.
Foram DUAS
HORAS de negociação intensa. O vigilante suava, o gerente não arredava o pé
de dentro da agência, e o Pocotó já tava com a paciência além do limite do
cheque especial. Tomado pela fúria incontrolável de quem só queria pagar uma
conta, ele chutou o balde!
No meio
da agência lotada, começou a arrancar a roupa ali mesmo para provar sua
inocência. Tira o cinto, tira a camisa e, quando ele abaixou a calça...
meus amigos... o peso da gravidade cobrou seu preço.
Seu saco
escrotal colossal simplesmente DESPENCOU! E bateu no chão de mármore da agência
com um estrondo surdo: PLACT!
Foi um
escândalo bíblico! Senhorinhas começaram a se benzer, o rapaz do caixa
paralisou, um silêncio sepulcral tomou conta do banco. E o vigilante? O
vigilante, com os olhos marejados de pura comoção (e talvez um pouco de
terror), gentilmente pegou Pocotó pelo braço e o escoltou direto, sem escalas,
para o guichê de deficientes, para que aquele herói guerreiro fosse
atendido o mais rápido possível.
E foi
assim que, na TERRA DISTANTE, a expressão "QUE SACO!" ganhou
um peso... inestimável!


